Criação de faisão e perdiz: licença, viveiro e canibalismo
O faisão e a perdiz não são aves de capoeira. São animais selvagens — criaturas não domesticadas postas num viveiro. Essa única frase explica tudo na criação: por que se ferem, por que morrem batendo no teto e por que você precisa de licença antes de começar.
Este guia trata a criação de aves de caça com realismo: as espécies, o problema do canibalismo e seus remédios (antolhos e bits), por que o viveiro precisa de teto de rede e os sistemas de acasalamento opostos do faisão e da perdiz.
Primeiro a lei: estas aves são reguladas
É a parte mais pulada — e a mais cara.
O faisão (Phasianus colchicus) e as perdizes (espécies de Alectoris) são espécies da fauna silvestre na maioria dos países. Não se compram e vendem com a liberdade de uma galinha. Criar, manter e vender exige em geral licença ou autorização de criador do órgão de fauna; a criação é registrada e fiscalizada.
- Manter sem licença expõe a multa e apreensão das aves
- Coletar ovos ou filhotes na natureza é proibido
- Compre matrizes de criadouro autorizado e guarde os documentos
- A soltura para caça costuma ser uma autorização separada
A regra: procure o órgão competente antes de construir o viveiro. (Na Turquia é a diretoria DKMP; no Brasil, no Reino Unido ou nos EUA as regras mudam, mas existem. Verifique as suas.)
As espécies
| Ave | Peso | Ovos/temporada | Incubação | Nota |
|---|---|---|---|---|
| Faisão-de-coleira | 1,1-1,4 kg | 40-60 | 24-25 dias | O macho é vistoso; polígamo |
| Chukar (A. chukar) | 500-750 g | 40-65 | 23-24 dias | A perdiz mais criada; monógama |
| Perdiz-grega (A. graeca) | 500-700 g | 30-50 | 23-25 dias | Espécie de montanha |
| Perdiz-vermelha (A. rufa) | 450-550 g | 40-50 | 23-24 dias | Mediterrâneo ocidental |
| Perdiz-cinzenta (Perdix perdix) | 350-450 g | 15-20 | 23-25 dias | Nidifica no chão; difícil de criar |
A perdiz em cativeiro põe mais que a silvestre (40-65). A fêmea entra em postura aos quatro meses e põe um ovo por dia de março a junho. Como no ganso e no peru, a postura é sazonal.
Problema número um: o canibalismo
Na criação de aves de caça, o que mata as aves em geral não é doença. São elas mesmas.
Faisões e perdizes são aves nervosas, feitas para voar, acostumadas ao campo aberto. Confinadas, o estresse se acumula e começa a cadeia arrancar penas → bicagem → canibalismo. É uma versão muito mais violenta da bicagem em galinhas: um viveiro de faisões pode ter perdas pesadas em dias.
As causas: superlotação, falta de esconderijo, luz forte, ração muito proteica e tédio.
As soluções, em ordem:
- Dê espaço. É o que realmente resolve. Mire 1,5-1,7 m² por ave no viveiro. Em recinto lotado, nenhuma outra medida salva.
- Dê cobertura. Coloque galhada, palha de milho, feixes de ramos dentro. A ave que consegue se esconder foge do agressor; as linhas de visão se quebram e a briga cai. É a solução mais barata e a mais esquecida.
- Diminua a luz. Luz baixa ou vermelha: o sangue deixa de aparecer e a bicagem não é disparada.
- Dê verde. Capim, alfafa, couve: ocupação e fibra ao mesmo tempo.
- Meios mecânicos: se persistir, as granjas usam dois:
- Antolhos (óculos): peça plástica presa pelas narinas que impede a ave de ver para a frente — ela vê de lado, come, mas não consegue mirar uma bicada.
- Bits: um anel que impede o bico de fechar por completo; a ave come mas não arranca penas.
O viveiro: o teto tem de ser rede
Este é o erro fatal do iniciante.
Faisão ou perdiz assustados disparam verticalmente para cima. Se o teto for rígido — telha, madeira, tela esticada — a ave bate de cabeça e pescoço, e a fratura do pescoço é causa comum de morte.
- O teto tem de ser uma rede macia e flexível — cede na batida e a ave não se machuca
- Altura do viveiro: ao menos 2-2,5 m
- Tela fina nas laterais; o piso seco e natural (terra, areia, grama)
- Faisões precisam de distância real de voo — essencial para a musculatura e para sobreviver a uma soltura
- Proteja de predadores: marta e raposa por baixo, gaviões por cima. Valem as regras do nosso guia de biosseguridade.
Acasalamento: faisão e perdiz são opostos
Ignore essa diferença e a fertilidade desaba.
| Faisão | Perdiz (Alectoris) | |
|---|---|---|
| Sistema | Polígamo | Monógamo |
| Proporção | 6-10 fêmeas por macho | Um macho + uma fêmea (casal) |
| Montagem | Grupo de harém | Gaiolas de casal separadas |
O faisão funciona como um galo: um macho fecunda muitas fêmeas. Coloque machos a mais e eles brigam.
A perdiz forma casal. As matrizes precisam ficar em casais, em gaiolas separadas. Em grupo, os pares se desfazem, a briga aumenta e a fertilidade cai.
Um fato curioso: na natureza a fêmea de Alectoris às vezes põe duas posturas distintas — o macho choca uma e ela choca a outra, e saem duas ninhadas numa só temporada. É um comportamento raro entre as aves.
Como saber o sexo?
No faisão é fácil — uma das diferenças sexuais mais marcadas entre as aves:
- O macho: corpo acobreado, cabeça verde-azul metálica, coleira branca, cauda longuíssima e esporão na perna
- A fêmea: parda e malhada, cauda curta, sem coleira (camuflagem)
Na perdiz é difícil: os sexos são quase idênticos. Para distinguir:
- O calombo da perna: o macho tem um calombo rombo e nítido atrás da perna (base do esporão); a fêmea não tem, ou tem mínimo. É a marca mais confiável.
- O macho é um pouco maior e de cabeça mais grossa (exige comparação)
- O canto: o do macho é mais forte e insistente
Compare com o resto da série:
| Ave | Como |
|---|---|
| Ganso Pilgrim | No dia da eclosão — pela penugem |
| Codorna Faraó | Semana 3-4 — pelas penas do peito |
| Galinha-d’angola | Mês 2-3 — só pelo canto |
| Faisão | Óbvio — pela plumagem |
| Perdiz | Difícil — pelo calombo da perna |
Incubação
- Período: faisão 24-25 dias; perdiz 23-24 dias (menos que a galinha)
- Bloqueio: dia 21-22 no faisão; 20-21 na perdiz
- Eclodibilidade: relatam-se até 90% em ovos de perdiz — bem manejada, é uma espécie produtiva
- Ovoscopia: o ovo de perdiz é creme pintado e o de faisão pardo-oliváceo; exige luz forte
- Incubação natural: em cativeiro, faisões e perdizes em geral não chocam — o confinamento suprime o instinto. O usual é pôr os ovos sob uma galinha choca ou usar chocadeira.
O detalhe está no nosso guia de incubação de faisão e perdiz. O app Kuluçka Takip monta o calendário por espécie e lembra os dias de viragem, bloqueio e eclosão. Você pode conferir o app aqui.
Criação dos filhotes
- Proteína: a inicial precisa ter 26-28% — ração de pintinho (20%) não basta. É o mesmo nível do peruco.
- Calor: 35-37 °C na primeira semana; use o calendário do nosso guia de criadeira e suba.
- TAMPA É OBRIGATÓRIA: os filhotes começam a voar com duas semanas.
- O canibalismo começa cedo: ponha cobertura (galhinhos, túneis de papel) já na criadeira, diminua a luz e não amontoe.
- Bebedouros: rasos e com pedrinhas (risco de afogamento).
Para quem serve?
Serve para você se: consegue a licença; tem espaço para um viveiro grande; seu objetivo é venda cinegética, soltura ou ornamentação; e está pronto para lidar com uma ave nervosa e selvagem.
Não serve se: pretende criá-las como aves de capoeira num quintal pequeno (canibalismo e pescoços quebrados são inevitáveis); quer ovos ou carne de forma regular (a produção é sazonal e baixa); ou não quer lidar com licenças.
Se você veio por ovos ou carne, o endereço certo é a codorna (sem licença, botando com 6-7 semanas) ou uma galinha poedeira.
Perguntas Frequentes
Precisa de licença para criar faisão e perdiz?
Sim, na maioria dos países. São espécies da fauna silvestre, então criar, manter e vender exige autorização do órgão de fauna (na Turquia, a diretoria DKMP); a criação é registrada e fiscalizada. Manter sem licença expõe a multa e apreensão, e coletar ovos ou filhotes na natureza é proibido. Solicite antes de construir o viveiro.
Por que faisões e perdizes se bicam?
O canibalismo é o problema número um da criação de aves de caça. Causas: superlotação, falta de esconderijo, luz forte, muita proteína e tédio. Soluções, em ordem: 1,5-1,7 m² por ave, cobertura dentro do viveiro (galhada, palha de milho), luz baixa ou vermelha e verde na dieta. Se persistir, usam-se antolhos ou bits — mas são paliativos: a cura real é espaço e cobertura.
De que deve ser o teto do viveiro?
De rede macia e flexível; nunca de material rígido. Faisão ou perdiz assustados disparam para cima e, contra telha, madeira ou tela esticada, batem de cabeça e pescoço: a fratura do pescoço é causa comum de morte. A rede cede no impacto. O viveiro deve ter ao menos 2-2,5 m de altura.
Quantas fêmeas por macho de faisão?
O faisão é polígamo: 6-10 fêmeas por macho. A perdiz é MONÓGAMA — as matrizes precisam ficar em casais, em gaiolas separadas. Em grupo, os pares se desfazem, a briga aumenta e a fertilidade cai.
Como sexar uma perdiz?
É difícil: os sexos são quase idênticos. A marca mais confiável é o calombo da perna — o macho tem um calombo rombo e nítido atrás da perna (base do esporão); a fêmea não tem, ou tem mínimo. O faisão é fácil: o macho é acobreado, de cabeça metálica, coleira branca e cauda longuíssima; a fêmea é parda apagada.
Quantos dias dura a incubação de faisão e perdiz?
Faisão 24-25 dias e perdiz 23-24 dias — menos que a galinha. O bloqueio é no dia 21-22 no faisão e 20-21 na perdiz. Em cativeiro elas geralmente não chocam, então põem-se os ovos sob uma galinha choca ou usa-se chocadeira.
Quantos ovos uma perdiz põe por ano?
A chukar em cativeiro põe 40-65 ovos por temporada — mais que a silvestre. A fêmea entra em postura aos quatro meses e põe um ovo por dia de março a junho. O período de postura é sazonal.
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